Cuidados com a pele perilesional

A pele que circunda uma ferida crônica (pele perilesional) e o próprio leito da ferida mantêm comunicação contínua, seja por contato físico direto (exsudato, mediadores inflamatórios) ou por meio de sinais químicos liberados nas margens do tecido lesado.

Ou seja, não se trata de duas áreas isoladas e independentes, mas de um “ecossistema” de cicatrização em que o que acontece no leito (presença de biofilme, degradação dos tecidos, exsudação) afeta diretamente a pelo ao redor – e vice-versa.

A pele ao redor da ferida e o leito da ferida formam um sistema integrado, onde cada componente influencia diretamente a evolução do outro.

Essa compreenção é fundamental para uma abordagem mais eficaz das feridas crônicas, evitando complicações que podem ocorrer quando os profissionais de saúde se concentram unicamente no leito e não dão a devida atenção às características e necessidades da pele perilesional.

Desbridamento autolítico

O desbridamento autolítico é uma técnica utilizada no tratamento de feridas que promove a remoção natural de tecido necrótico ou desvitalizado, utilizando o próprio mecanismo de cicatrização do organismo. Esse processo é considerado um método suave e seletivo, pois permite que o corpo degrade e elimine o tecido morto de forma gradual, sem danificar o tecido saudável.

Como funciona o desbridamento autolítico:

Uso de coberturas especiais: São utilizados curativos que mantêm a ferida úmida, como hidrogéis, hidrocoloides, alginatos, hidrofibras e algumas pomadas. Esses materiais criam um ambiente úmido que favorece a ação das enzimas presentes no exsudato da ferida e, em alguns casos, presentes no curativo e que digerem o tecido necrótico.

Ativação de enzimas: As enzimas presentes no fluido da ferida e em alguns tipos de curativos(como colagenases e proteases) são ativadas no ambiente úmido, ajudando a quebrar o tecido morto.

Remoção gradual: O tecido necrótico é liquefeito e absorvido pelo curativo ou eliminado durante as trocas sequenciais dos curativos.

Vantagens do desbridamento autolítico:

  • Menos invasivo: Não causa dor ou trauma ao tecido saudável.
  • Seletivo: Remove apenas o tecido desvitalizado, preservando o tecido viável.
  • Fácil aplicação: Pode ser realizado em ambiente domiciliar ou ambulatorial.
  • Promove a cicatrização: Mantém o ambiente úmido, que é ideal para a regeneração tecidual.

O desbridamento autolítico deve ser evitado naquelas situações que exigem um tipo de desbridamente mais rápido, tais como feridas com necrose extensa e sinais de infecção que podem progredir para infecção sistêmica. Os pacientes imunodrimidos também podem exigir desbridamento mais invasivo para prevenção e controle de infecção já instalada.

O desbridamente autolítico também pode significar trocas mais frequentes dos curativos no sentido de intensificar e acelerar a ação autolítica. A combinação ou associação com outras modalidade de desbridamento também pode ser uma boa alternativa.

Na maioria dos casos o desbridamento é feito de forma sequencial, a cada troca periódica do curativo, onde vamos verificando o aumento das áreas de granulação e de tecidos viáveis.

Comparativo de Coberturas: Alginato vs Hidrofibra

Na tabela abaixo consideramos as principais características dessas duas coberturas

CaracterísticaALGINATOHIDROFIBRA
Material baseDerivado de algas marinhs marrons (alginato de cálcio)Fibras sintéticas de carboximetilcelulose (CMC)
Absorção de exsudatoAlta (até 20 vezes o seu peso)Muito alta (até 30 vezes o seu pelo
Gelificação (transformação em gel)SIMSIM
Indicações principaisExsudato moderado a abundanteExsudato moderado a abundante
Ambiente de curaÚmidoÚmido
AdesividadeNão aderenteNão aderente
Periodicidade de trocaAté 3 dias (dependendo do exsudato)Até 7 dias (dependendo do exsudato)
Facilidade de remoçãoFácil(não adere ao leito)Fácil(não adere ao leito)
Uso em feridas infectadasQuando associado a antimicrobianoQuando associado a antimicrobiano
Estrutura da coberturaFibra não tecidaFibra tecida
CustoModeradoModerado a elevado

Dermatoporose

O envelhecimento da pele ainda é amplamente entendido como um problema estético a ser “resolvido” no âmbito da cosmetologia. Entretanto,é hoje considerado e amplamente aceito no meio científico como um problema funcional deste órgão que chamamos pele.

O entendimento atual é de que a dermatoporose é uma condição da pele caracterizada pelo envelhecimento cutâneo avançado e fragilidade extrema da pele, tornando-a mais suscetível a lesões, hematomas e lacerações espontâneas. Essa condição afeta principalmente idosos, especialmente em áreas mais expostas ao sol ao longo da vida, como braços e pernas.

Compartilhamos mais detalhes sobre esse novo conceito DERMATOESCLEROSE, inclusive a sua origem em 2007, no vídeo que pode ser acessado neste LINK

Pe diabético – Rachaduras – COMO TRATAR

O tema PÉ DIABÉTICO é recorrente quando se trata de feridas crônicas.

A incidência de lesões que podem se instalar nos pés dos diabéticos é de tal magnitude que o seu estudo nunca se esgota.

Vamos compartilhar nesse vídeo uma dessas situações tão frequente nesses pacientes: ressecamento, rachaduras, calosidades e hiperqueratose na região plantar.

Antes de tudo precisamos entender o que acontece no pé dos diabéticos que leva ao ressecamento da pele. Faz parte de um fenômeno NEUROLÓGICO que conhecemos como NEUROPATIA DIABÉTICA. Infelizmente, essa neuropatia é raramente diagnosticada antes de surgirem as complicações que podem levar a resultados dramáticos, tais como amputações.

Segundo alguns autores A NEUROPATIA É UM EVENTO MUITO ESQUECIDO NA AVALIAÇÃO DOS DIABÉTICOS.

Vamos enfocar em um dos aspectos desse extenso território das neuropatias que afetam os diabéticos.

Úlcera de Martorell – um diagnóstico esquecido

A úlcera hipertensiva de Martorell (nos membros inferiores) é uma peculiaridade dos portadores de hipertensão arterial.

É pouco diagnosticada porque frequentemente está associada com outras patologias que também provocam feridas.

Profissionais de saúde que se dedicam ao tratamento dos portadores de feridas crônicas precisam estar atentos para essa possibilidade.


Quando a cicatrização falha – IODO

Compartilhamos uma publicação mostrando o papel da PRATA no combate às infecções que provocam a falha na cicatrização das feridas cônicas.

A infecção não permite que a cicatrização saia de sua fase INFLAMATÓRIA.

Agora vamos compartilhar algumas considerações pertinentes ao elemento IODO dentro deste mesmo conceito do combate às infecções e ao BIOFILME nas feridas crônicas.

O uso dos desses antimicrobianos tem evoluído muito e superado convenientemente alguns desafios tais como a toxicidade celular e a resistência bacteriana, bem como a inviolabilidade das comunidades de microrganismos por trás da barreira dos biofilmes.

Se desejar, assista o vídeo abaixo.

Quando a cicatrização falha – PRATA

Todos nos deparamos com aqueles momentos em que o tratamento das feridas estacionam e os resultados que desejamos não acontecem. É QUANDO A CICATRIZAÇÃO FALHA.

Encontrar a causa ou as causas dessa falha se torna inadiável. Entre tantas possibilidades que impedem uma evolução favorável da cicatrização, uma delas é a INFECÇÃO. E isto é mais frequente do que imaginamos.

E entre as armas de que dispomos para esse problema estão os ANTIMICROBIANOS. Neste vídeo compartilharemos algumas considerações sobre um desses antimicrobianos: a PRATA.

VASCULITE em Feridas crônicas

É de frequência significativa nos depararmos com feridas que, mesmo tratadas convenientemente, estacionam e não evoluem para a cicatrização. São situações em que as suspeitas diagnósticas precisam ser reavaliadas. É necessário saber identificar o momento em que investigações precisam ser iniciadas para identificar o que está impedindo a evolução satisfatória que desejamos.

Com significativa frequência as vasculites são a patologia de fundo responsável por essa desagradável parada na cicatrização. Neste vídeo compartilhamos algumas considerações básicas para a conduta apropriada nessas situações.

Dermatoporose – um novo conceito

O envelhecimento da pele ainda é amplamente entendido com um problema estético a ser resolvido no âmbito da cosmetologia. Entretanto, é hoje considerado e universalmente aceito no meio científico como um problema funcional desse órgão que chamamos pele. Nesta apresentação compartilhamos considerações gerais sobre o conceito de DERMATOPOROSE cujo conhecimento é fundamental para os que se dedicam aos cuidados com os portadores de feridas crônicas.

Assunto de fundamental importância para os que se dedicam ao tratamento das feridas crônicas