No tratamento das feridas crônicas, precisamos ir além da simples troca de curativos e coberturas.
A verdadeira transformação acontece quando compreendemos a biologia da cicatrização.
As MMPs (Metaloproteinases da Matriz) exercem papel fundamental no remodelamento tecidual, promovendo degradação controlada da matriz extracelular (MEC) para permitir reparo e renovação celular. Em equilíbrio, os TIMPs (Inibidores Teciduais das Metaloproteinases) regulam essa atividade enzimática.
Nas feridas crônicas, entretanto, esse sistema frequentemente se torna disfuncional.
O excesso de MMPs associado à insuficiente ação dos TIMPs leva à destruição contínua da MEC, degradação de colágeno, fatores de crescimento e tecido recém-formado. A ferida permanece presa em um estado inflamatório persistente, incapaz de evoluir adequadamente para as fases de proliferação e remodelamento.
Por isso, entender a dinâmica da MEC disfuncional não é apenas conhecimento acadêmico — é fundamento clínico para uma abordagem mais racional, estratégica e eficaz no tratamento de feridas.
Quem compreende esses mecanismos deixa de ser apenas um “trocador de curativos” e passa a atuar verdadeiramente na modulação biológica do processo cicatricial.