O envelhecimento da pele ainda é amplamente entendido com um problema estético a ser resolvido no âmbito da cosmetologia. Entretanto, é hoje considerado e universalmente aceito no meio científico como um problema funcional desse órgão que chamamos pele. Nesta apresentação compartilhamos considerações gerais sobre o conceito de DERMATOPOROSE cujo conhecimento é fundamental para os que se dedicam aos cuidados com os portadores de feridas crônicas.
Autor: JOSE AMORIM DE ANDRADE
Joinville vai começar a usar bactéria wolbachia no combate à dengue
O município de Joinville, em Santa Catarina, vai começar a produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria wolbachia, para ajudar a combater a dengue na cidade. A expectativa é iniciar a soltura dos primeiros mosquitos Wolbitos ainda no mês de julho
Expectativa é soltar os primeiros mosquitos ainda no mês de julho
Publicado em 02/07/2024 – 20:47 Por Douglas Corrêa – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

O município de Joinville, em Santa Catarina, vai começar a produzir mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria wolbachia, para ajudar a combater a dengue na cidade. A expectativa é iniciar a soltura dos primeiros mosquitos Wolbitos ainda no mês de julho. 

A Biofábrica do Método Wolbachia, que foi entregue nesta segunda-feira (1º) pela prefeitura, começou a receber equipamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que serão instalados nas próximas semanas.
A bactéria, que está presente em 60% dos insetos da natureza e não causa danos aos humanos, impede que os vírus, não só da dengue, mas de zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam nos insetos, contribuindo para redução das doenças. Os wolbitos serão liberados em Joinville e vão se reproduzir com os Aedes aegypti locais. Aos poucos, eles estabelecerão uma nova população de mosquitos que não transmite dengue e outras doenças.
“Nos últimos dez anos, este projeto amadureceu do ponto de vista científico e tecnológico e mostrou efetividade nos locais em que foi implantado, com uma redução significativa das arboviroses, notadamente a dengue. Isso ficou muito claro este ano, pois proporcionalmente Niterói teve um número bastante reduzido de casos de dengue, comparando com o Rio. O mesmo ocorreu em Petrolina e em Campo Grande, quando comparadas com as cidades do entorno”, explica o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz, Marco Krieger.
Além de Joinville, o projeto está em fase de engajamento nas cidades de Londrina e Foz do Iguaçu (PR). Em fases anteriores, o método já foi implantado nas cidades do Rio de Janeiro e Niterói (RJ), Campo Grande (MS), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE). Em seguida, o projeto se estenderá para as cidades de Uberlândia (MG), Presidente Prudente (SP) e Natal (RN).
O método de controle das arboviroses foi desenvolvido na Austrália e, atualmente, está presente em mais de 20 cidades de 14 países. Os dados de monitoramento revelam que os wolbitos estão se estabelecendo em níveis muito positivos nos territórios. Na Austrália, houve redução de 96% nos casos de dengue no país.
Edição: Sabrina Craide
Roraima, capital da gravidez infantil
É no chão social que o Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra-se uma “ameaça à sociedade”, como definiu ao Outra Saúde o ginecologista Olímpio Moraes, ao comentar a atitude da autarquia em relação ao direito ao aborto. Como mostrou matéria da Folha de S. Paulo, a decisão ilegal do órgão (por extrapolar sua própria competência), que tentou vetar a prática de assistolia fetal em gestações fruto de estupro a partir de 22 semanas, repercute de forma negativa onde os dados de gravidez precoce já são alarmantes. É o caso Roraima, dominado politicamente por aliados do bolsonarismo. O índice de gravidez infantil é o mais alto do país: 6,25 em cada 1000 meninas engravidam após sofrer estupro — um índice quase três vezes maior que a média nacional e comparável ao da África Subsaariana.
Ainda assim, o único hospital do estado que realizava o aborto legal nestes casos (o Nossa Senhora de Nazaré) deixou de fazer a assistolia, após a resolução do CFM. Além disso, foi dissolvida a comissão responsável pelo procedimento no estado. Nem aliminar do STF que suspendeu a resolução do CFM foi capaz de reverter o retrocesso. O governador, Antonio Denariun, já foi alvo de sete pedidos de impeachment, acusado de crimes como fraudes, superfaturamento de contratos, desvio de recursos públicos, formação de milícia e e envolvimento em esquemas de agiotagem, grilagem de terras e apoio ao garimpo ilegal em terras indígenas.
Fonte da matéria: OUTRAS PALAVRAS
Ozempic: o que significará o fim de sua patente?
Publicado em OUTRA SAUDE Autoria da publicação: Gabriela Leite

Uma droga relativamente nova tornou-se onipresente nas editorias de saúde dos principais jornais brasileiros e internacionais. Também toma conta das redes sociais e notícias de fofoca, por ter virado febre entre famosos. Até Lula e Janja estão usando as canetas injetáveis, alardeia a imprensa. O novo elixir é mais conhecido por sua marca principal: Ozempic. Mas a substância presente nos medicamentos leva o nome de semaglutida, uma mimetização do hormônio GLP-1, produzido no intestino e no cérebro com a função de regular os níveis de glicose no sangue.
A semaglutida foi criada visando o tratamento da diabetes tipo 2. Ela estimula o pâncreas a liberar insulina quando os níveis de glicose no sangue estão elevados, ajudando a regular a glicose no sangue após as refeições. E, diferente de drogas mais antigas, não provoca o aumento de peso. Na verdade, tem o efeito contrário: ao estimular a sensação de saciedade por um período muito mais longo que o GLP-1 natural produzido pelo corpo, é muito eficaz no emagrecimento. Estima-se que seu uso constante, aliado a dieta e exercícios físicos, pode reduzir o peso de uma pessoa em 10% após um ano. Há sinais, ainda não comprovados, de que pode ser também auxílio poderoso no combate a enfermidades do coração, fígado e rins.
O Ozempic, frequentemente referido como remédio arrasa-quarteirão, representou uma pequena revolução na indústria europeia. A responsável por sua fabricação – e detentora de sua patente – é a Novo Nordisk, empresa dinamarquesa com mais de 100 anos, maior produtora de insulina do mundo. Com a semaglutida, a corporação chegou a outro patamar: recentemente, seu valor de mercado alcançou 570 bilhões de dólares – maior que o PIB de seu país de origem. Tornou-se a maior empresa da Europa, ultrapassando a LVMH, que fabrica produtos de luxo como as bolsas Louis Vuitton, o champagne Veuve Clicquot e a marca de joias Bvlgari. Agora, seu reinado pode estar chegando ao fim.
O mundo alcança níveis de sobrepeso e obesidade alarmantes, e seus principais responsáveis, além do sedentarismo, são os alimentos ultraprocessados – formulações alimentícias industriais extremamente pobres mas cheias de aditivos químicos para ressaltar seu sabor e aparência. Pão de forma, macarrão instantâneo e salgadinhos são apenas alguns exemplos da miríade de ultraprocessados disponíveis nos supermercados. São baratos, práticos e apetitosos. Em um mundo empobrecido e acelerado, e impulsionados pelo lobby da indústria alimentícia, espalharam-se e geraram lucros vultosos. Também são – veja só – altamente causadores de doenças crônicas como a diabetes. Nesse contexto, o Ozempic e similares encontraram seu lugar ao sol.
Mas há uma barreira importante para sua disseminação: seu altíssimo custo. Protegido por patentes, o uso mensal do medicamento chega a custar 935 dólares, nos Estados Unidos. Há alguns meses, o senador estadunidense Bernie Sanders abriu uma investigação para descobrir como seu preço é determinado – há estimativas de que o custo de produção seja menos de 5 dólares por caneta. No Brasil, seu preço mensal varia de R$ 994,03 a R$ 1.308,32, a depender da tributação de cada estado. Não está disponível no SUS, embora já haja casos de pacientes que entram na justiça para recebê-lo pelo sistema público.
É justo ou aceitável impor um preço tão alto por uma droga potencialmente revolucionária para tratar a diabetes tipo 2, uma doença cuja taxa global é de 183 por 100 mil? Mas esse cenário pode se transformar rapidamente, num período próximo. Isso porque a patente da Novo Nordisk está prestes a chegar ao fim em países importantes. É o caso de duas enormes nações com indústria farmacêutica entre as mais avançadas do mundo: Índia e China. Neles, as normas que proíbem a produção da semaglutida expiram em 2026. E ambos estão prontos para aproveitar-se da situação e oferecer o medicamento por preços muito mais acessíveis.
Quando o Ozempic foi autorizado na China, em 2021, abriu-se à Novo Nordisk um mercado gigantesco. Suas vendas duplicaram. Estima-se que o país terá 150 milhões de pessoas com obesidade e 540 milhões com sobrepeso em 2030. Mas a indústria chinesa está fortemente preparada para o dia em que a patente deixar de existir: há ao menos 15 versões genéricas sendo preparadas pelas farmacêuticas locais – 11 em estados avançados de testes clínicos, segundo levantamento da Reuters. A Novo Nordisk procura estender sua propriedade por mais tempo, mas há pouca esperança de que isso aconteça. Na verdade, há chances de que a patente caia até antes.
Uma matéria da Nature ajuda a compreender a importância do investimento das indústrias chinesa e indiana no processo. Busca-se, além de produzir a versão genérica da semaglutida, desenvolver biossimilares: substâncias que se assemelham muito ao produto de referência e são derivados de organismos vivos modificados, como leveduras. Há, ainda, a busca por medicamentos novos: “A ambição não é apenas ter um produto mais barato, mas ter algo que seja tão bom, senão melhor”, afirmou Guy Rutter, um consultor da indiana Sun Pharmaceuticals, à revista. Quanto ao preço, as estimativas são animadoras. Abhijit Zutshi, diretor comercial da gigante indiana Biocon, estima que pode cair de 50% a 90%.
Produzida em países do Sul Global, essa transformação no mercado de medicamentos para diabetes tipo 2 e para obesidade pode ter grande impacto no mundo. Como expõe uma série de reportagens (1, 2, 3) publicada por Outra Saúde, a indústria de medicamentos indiana é conhecida como “a farmácia do terceiro mundo”. Para chegar ao patamar de 9ª maior produtor farmacêutico, o país desafiou e pressionou as regras dos países abastados e da Organização Mundial do Comércio. Suas exportações para as nações africanas e asiáticas garantem que esses países sigam abastecidos com remédios que não seriam adquiridos nos preços impostos pelas farmacêuticas ocidentais. Hoje, companhias privadas pressionam por adoção de modelo de negócios similar ao do Ocidente, o que pode representar um risco ao fornecimento de remédios aos países empobrecidos. Mas a indústria segue pujante.
No Brasil, a patente da semaglutida também chega ao fim em 2026 – mas a regressão industrial das últimas décadas foi arrasadora, e o país não tem a mesma chance de seus parceiros do BRICS. Em 2021, a Novo Nordisk pediu à Justiça a prorrogação do prazo da propriedade intelectual do medicamento, mas foi negada pela 5ª Turma do TRF-1. Um medicamento semelhante para o tratamento da diabetes, a liraglutida, expira neste primeiro semestre de 2024. Há expectativa no mercado de que empresas transnacionais vendam os genéricos chineses e indianos no país.
TERAPIA COMPRESSIVA -Situações atípicas – Caso 1
Compartilhamos situações atípicas que devemos solucionar de forma criativa em portadores de feridas crônicas para os quais a TERAPIA COMPRESSIVA é obrigatória.
São situações em que o retorno venoso-linfático que mantém e alimenta o edema, impedindo a evolução cicatricial, precisa ser combatido.
Ao mesmo tempo, os dispositivos usados para a compressão estão em atrito com o leito da ferida. Esse atrito representa microtraumas repetidos e continuados que prejudicam a evolução cicatricial.
É uma situação inusitada abordada de forma prática, baseada na experiência.
Terapia compressiva – O que devemos usar?
A terapia compressiva é a solução até o momento insubstituivel no tratamento das feridas dos membros inferiores decorrentes da insuficiência venosa e/ou linfática dos membros inferiores.
É também um recurso indispensável para o enfrentamento do edema. Sabemos que não é possível a cicatrização em ambiente de edema.
Aplicar os dispositivos de combate ao edema e aos efeitos da insuficiência venosa requer não apenas treinamento, mas conhecimento da dinâmica envolvida nesse procedimento.
Maceração no entorno da ferida – QUE FAZER?
Todos os que se dedicam ao tratamento das feridas crônicas se deparam com o irritante e persistente problema da maceração do entorno das feridas. Não é um desafio de fácil enfrentamento porque depende também da cooperação do paciente e familiares. A maceração é um obstáculo crítico ao processo de cicatrização e está habitualmente associado ao descontrole do exsudato.
Compartilho com vocês neste vídeo os aprendizados acumulados ao longo do tempo
Protetores da pele – “Barreiras” protetoras
A pele do entorno das feridas deve ser permanentemente monitorada pelo profissional assistente. Os elementos secretados pela ferida, quando não controlados, podem provocar severos danos ao seu entorno, com risco de infecção e, até mesmo, expansão da lesão.

Muito embora comumente denominados “cremes de barreira” cuja função básica é a proteção da pele, esses protetores podem ser encontrados também em formato gel, pastas, óleo, esmalte, etc.
Sabemos que a pele, ela mesma, com seus 2m2 de área total e que envolve todo o nosso organismo é a principal barreira protetora do nosso corpo. Entretanto há circunstâncias em que ela, a pele, precisa de uma proteção extra contra diversos agentes que a agridem. No que diz respeito ao tratamento das feridas entendemos que diferentes agentes agressores são produzidos pela própria ferida. Outros, em situações específicas, estão presentes no que eliminamos com as fezes e a urina e que representam um desafio para os cuidados com as lesões por pressão na topografia da pélvis e quadril.
Neste post vamos permanecer focados na tarefa de proteger a pele situada na fronteira do leito das feridas.
A maceração da pele do entorno das feridas crônicas costuma ser o resultado decorrente do contato prolongado com o exsudato por elas produzido. Quanto maior a quantidade desse exsudato não controlado, maior a possibilidade de danos à pele do entorno, risco de infecção e até mesmo de expansão da área ulcerada. A escolha do curativo apropriado com capacidade absortiva é fundamental. Consideremos que uma cobertura saturada de exsudato por tempo prolongado provocará danos desastrosos. A pandemia de COVID-19 que dificulta a frequência do acompanhamento ambulatorial para as trocas dos curativos nos impôs maior atenção com os danos do exsudato.
Várias são as formulações encontradas nos produtos disponíveis para a proteção da pele. O óxido de zinco é o elemento mais frequentemente encontrado. Não é sem razão o componente que impregna a tradicional bandagem de UNNA. Na realidade, e como regra geral, os produtos comercializados apresentam uma associação de duas ou mais dessas substâncias: dimeticona, petrolato, óxido de zinco, mentol, glicerina, óleos minerais, lanolina, silicone.



Certamente isso se deve ao fato de aplicarmos curativos de permanência frequentemente superior a cinco dias. Isso exige uma vigilância cuidadosa no controle do exsudato.
Além disso atendemos um percentual muito elevado de feridas venosas e temos um cuidado obsessivo com o controle do edema e os protetores de pele podem ser aplicados sem nenhum problema sob terapia com as bandagens compressivas disponíveis no mercado (entre elas, a bandagem de UNNA).
Damos a seguir uma descrição sucinta dos três principais elementos que, em conjunto ou isoladamente, compõem os mais conhecidos produtos comercializados no mercado brasileiro:
- PETROLATO – Uma substância semissólida untuosa, neutra e sem sabor ou odor, derivada do petróleo por destilação das porções mais leves e purificação do resíduo. É uma massa amarelada, semelhante a gordura, transparente em camadas finas e um pouco fluorescente. É usado como um curativo de proteção suave, e como um substituto para materiais gordurosos em pomada. https://www.encyclo.co.uk/meaning-of-petrolatum
- DIMETICONA – é um óleo derivado de silicone. Fornece uma barreira repelente a água e é considerada a barreira do futuro. É não oclusivo e compatível com o estrato córneo natural da pele. As formulações aquosas contendo dimeticona é menos oclusivo e menos gorduroso do que vaselina e zinco. (Chronic Wound Care: A Clinical Source Book for Healthcare Professionals – Diane KrasnerHealth Management Publications, 1990 – 480 páginas )
- OXIDO DE ZINCO é um pó branco com propriedades antissépticas e adstringentes suaves. Quando misturado com uma base de vaselina, é eficaz contra a ação da urina e das fezes. No entanto, é gorduroso e de difícil remoção. Para remover a pasta de óxido de zinco, use óleo mineral e evite esfregar excessivamente. (Chronic Wound Care: A Clinical Source Book for Healthcare Professionals – Diane KrasnerHealth Management Publications, 1990 – 480 páginas )
Produtos com os quais já tivemos alguma experiência:
- 3M™ Cavilon™ Creme de barreira – (Dimeticona + outros ingredientes)
- Calmoseptine® Ointment – www.calmoseptine.com – (Oxido de zinco + outros ingredientes)
- Creme Barreira Comfeel® – (Petrolato, ciclometicona + outros ingredientes)
- Skin Sake Surface Protectant – (Dimeticona, petrolato + outros ingredientes)
Tendo em vista o tema desta postagem, acreditamos ser importante a ssistir o vídeo abaixo.
Dermatite de estase
Entendendo a dinâmica do retorno venoso dos membros inferiores fica fácil compreender como se instala a DERMATITE DE ESTASE. Trata-se de um processo inflamatório que vai evoluindo de forma insidiosa e, se descuidado, pode acabar se transformando em feridas que deterioram significativamente a qualidade de vida de seus portadores. Insuficiência venosa crônica e hipertensão venosa são o pano de fundo da dermatite de estase. Varizes, síndrome pós-trombótica, obesidade e sedentarismo, além dos habitos posturais, são os fatores desencadeantes mais frequentes.
Dermatite ou dermite de estase.
É uma situação clínica que se manifesta como um evento inflamatório da pele.
Mas não se trata de um evento inflamatório qualquer: trata-se de um processo decorrente da estase venosa. E, por esta razão, está topograficamente situado a partir do 1/3 médio das pernas. (Figura 1)

Precisamos entender primeiro o que significa ESTASE VENOSA. Estase significa parada ou lentidão de um fluxo. No caso que estudamos trata-se da parada ou lentidão do fluxo venoso nas veias superficiais ou profundas das pernas.
Essa parada ou lentidão do fluxo nas veias das pernas ocorre em decorrência de algumas doenças dessas veias, sendo a principal e mais frequente delas, as varizes. Outra situação que também pode provocar estase venosa é a decorrente das tromboses venosas muito frequentes em nossa população e que parece ter se agravado no curso da pandemia de Covid-19 (assunto talvez para outra publicação).
A dermatite ou dermite de estase é também chamada por alguns autores de eczema varicoso. O fenômeno não acontece de forma súbita. É um processo que vai se instalando de forma lenta e, muitas vezes não percebida. Em algum momento dessa evolução não tratada da doença venosa, a inflamação se manifesta, como podemos ver na imagem abaixo.

Algumas publicações dão conta de que essas dermatites podem ser agudas, sub agudas ou crônicas. Preferimos entender que elas se apresentam em episódios de duração mais ou menos longa dependendo do tratamento aplicado. Em situações descuidadas os eventos vão se cronificando e podem ser seguidos com a formação de feridas ou úlceras venosas. (Figura 2).

Figura 2 – Nesta fase da evolução crônica já se verifica a formação de ulceração na face medial acima do maléolo
É importante frisar que nem todos os portadores de varizes desenvolvem essa dermatite ou eczema. Isso nos leva a supor que alguns indivíduos podem estar geneticamente predispostos a evoluir dessa forma desagradável.
Portanto, é de fundamental importância ficar bem atento ao aparecimentos de alguns sinais e sintomas que podem significar que algo não está funcionando bem em nossas veias das pernas, tais como:
- Inchação nos tornozelos ao final de um dia de atividades
- Aparecimento de pruridos ou coceiras nas pernas
- Aparecimentos de pequenos pigmentos vermelhos ou acinzentados nas pernas


Importante: é muito frequente em pacientes com varizes o aparecimento de ECZEMA DE CONTATO. Não deve ser confundido com o eczema varicoso ou dermatite de estase, porque a conduta terapêutica poderá ser diferente.
O eczema de contato é uma resposta alérgica da pele a vários tipos de possíveis fatores externos: meias, pomadas, cremes, cosméticos, e outros agentes usados para tratamentos diversos (até mesmo para o tratamento de varizes!).
Portanto, muita atenção no exame físico e na anamnese.
Neste vídeo compartilhamos mais conteúdo sobre a DERMATITE DE ESTASE.
Hidrocoloide – Generalidade
Os hidrocolóides são curativos contendo agentes semipermeáveis de poliuretano em formato de placas gelatinosas com partículas hidro ativas de carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina.

São normalmente embalados em placas ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água na face oposta à ferida. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações.
Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas em múltiplos formatos com vistas à topografia da ferida (conforme pode ser visto na imagem acima).
Pode ser encontrado também em forma de pasta ou gel para uso também no preenchimento de determinadas feridas cavitárias.
Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso e viscoso entre o curativo e o leito da ferida; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação.
Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas presentes no leito das feridas, os hidrocoloides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados. 1
Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso. Convém esclarecer o paciente que pode achar que a ferida piorou.
Os hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. Outrossim, é preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.






Baseado no princípio de que o mais importante não é o que se põe na ferida (pomadas, curativos, etc), mas o que se tira delas (necrose, infecção, pressão, etc), nos casos acima foram usados calçados com palmilhas customizadas para pé de diabéticos com neuropatia.
Indicações principais:
- Curativo primário ou secundário em feridas com exsudato mínimo ou moderado.
- No formado gel ou pasta pode ser aplicado em feridas tunelizadas.
Vantagens:
- Propicia desbridamento autolítico
- Dificulta a invasão bacteriana
- Pode reduzir a dor
- Fácil de aplicar e auto aderente ao entorno
- É de fácil modelagem ao local e não adere ao leito úmido da ferida
- Capacidade de absorção de leve a moderada
- Pode ser utilizado criteriosamente sob terapia compressiva
- Reduz o trauma em áreas sob terapia compressiva – às vezes usamos para proteger saliências ósseas e tendinosas onde não há ferida (uso off label)
- Pode ser cortado
- A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida e o volume de exsudato)
Desvantagens:
- Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável.
- Com o calor e a fricção, amolece e perde o formato
- Pode provocar hipergranulação (granulação hipertrófica)
- Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta)
- Os hidrocoloides em contato com o exsudato podem exalar um odor desagradável que lhe é peculiar e isto, ás vezes, é referido pelo paciente. Cabe ao assistente distinguir e diferenciar do odor característico de infecção.
Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, segundo Sasseville e cols., apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto na pele do entorno decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.
Desaconselhável em:
- Queimaduras e feridas secas
- Feridas com exsudato abundante
- Feridas com franca infecção
- Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada
- Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas
- Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa
Produtos usados em nossa experiência:
- DuoDERM® CGF® Dressing – ConvaTec
- 3M™ Tegaderm™ Hydrocolloid Dressing – 3M Health Care
- Comfeel® Plus Ulcer Dressing – Coloplast Corp.
- Cutimed® Hydro B (Border) – BSN medical, Inc.
- NU-DERM™ Hydrocolloid DressingKCI – An Acelity Company
- Suprasorb® H – Lohmann & Rauscher
Leituras recomendadas:
1. Nemeth AJ, Eaglstein WH, Taylor JR, et al. Faster healing and less pain in skin biopsy sites treated with an occlusive dressing. Archives of Dermatology, Vol 127, November 1991, pp 1679- 1683.
2. Thomas, S., Hydrocolloids Journal of Wound Care 1992:1;2, 27-30
3. Sasseville D, Tennstedt D, Lachapelle JM: Allergic contact dermatitis from hydrocolloid dressings. Am J Contact Dermat 1997 Dec;8(4):236-238
4. Hess CT: Clinical Guide Wound Care (Fifty Edition). Lippincott Williams & Wilkins – 2005