A documentação fotográfica aplicada ao tratamento das feridas é um recurso que a cada dia vai se incorporando em nossa pratica diária. A imagem gravada vai muito além do que nossa memória pode alcançar. A possiilidade de comparar de forma analítica os dados que as imagens tomadas na linha do tempo vão nos fornecendo é de uma importância inestimável. E hoje o mundo digital nos possibilita o uso da fotografia sem a necessidade de grandes investimentos. Os celulares e smartphones estão ao alcance da maior parte da população e dispoem de recursos fotográficos satisfatórios como instrumento de documentação. Nesse vídeo que ora compartilho fazemos uma divertida viagem pelo mundo da fotografia e o seu avanço na área da saúde até os dias atuais.
Autor: JOSE AMORIM DE ANDRADE
Sistema linfático e edema
O percentual de feridas crônicas que evoluem com edema decorrem de mau funcionamento do sistema venoso e do sistema linfático é muito elevado. A importância do entendimento da circulação linfática e do seu papel no equilíbrio dos líquidos que circulam em nosso corpo não pode ser desconhecida por quem se dedica ao tratamento das feridas crônicas. Como entender drenagem linfática e terapia compressiva sem conhecer a anatomia desse sistema e a dinâmica do seu funcionamente? Neste vídeo compartilhamos a estrutura anatômica básica do que podemos chamar de circulação linfática, desde sua origem nos capilares linfáticos até o seu deságue no sistema venoso.
Cuidados com a pele perilesional
A pele que circunda uma ferida crônica (pele perilesional) e o próprio leito da ferida mantêm comunicação contínua, seja por contato físico direto (exsudato, mediadores inflamatórios) ou por meio de sinais químicos liberados nas margens do tecido lesado.
Ou seja, não se trata de duas áreas isoladas e independentes, mas de um “ecossistema” de cicatrização em que o que acontece no leito (presença de biofilme, degradação dos tecidos, exsudação) afeta diretamente a pelo ao redor – e vice-versa.
A pele ao redor da ferida e o leito da ferida formam um sistema integrado, onde cada componente influencia diretamente a evolução do outro.
Essa compreenção é fundamental para uma abordagem mais eficaz das feridas crônicas, evitando complicações que podem ocorrer quando os profissionais de saúde se concentram unicamente no leito e não dão a devida atenção às características e necessidades da pele perilesional.
Desbridamento autolítico
O desbridamento autolítico é uma técnica utilizada no tratamento de feridas que promove a remoção natural de tecido necrótico ou desvitalizado, utilizando o próprio mecanismo de cicatrização do organismo. Esse processo é considerado um método suave e seletivo, pois permite que o corpo degrade e elimine o tecido morto de forma gradual, sem danificar o tecido saudável.
Como funciona o desbridamento autolítico:
Uso de coberturas especiais: São utilizados curativos que mantêm a ferida úmida, como hidrogéis, hidrocoloides, alginatos, hidrofibras e algumas pomadas. Esses materiais criam um ambiente úmido que favorece a ação das enzimas presentes no exsudato da ferida e, em alguns casos, presentes no curativo e que digerem o tecido necrótico.
Ativação de enzimas: As enzimas presentes no fluido da ferida e em alguns tipos de curativos(como colagenases e proteases) são ativadas no ambiente úmido, ajudando a quebrar o tecido morto.
Remoção gradual: O tecido necrótico é liquefeito e absorvido pelo curativo ou eliminado durante as trocas sequenciais dos curativos.
Vantagens do desbridamento autolítico:
- Menos invasivo: Não causa dor ou trauma ao tecido saudável.
- Seletivo: Remove apenas o tecido desvitalizado, preservando o tecido viável.
- Fácil aplicação: Pode ser realizado em ambiente domiciliar ou ambulatorial.
- Promove a cicatrização: Mantém o ambiente úmido, que é ideal para a regeneração tecidual.
O desbridamento autolítico deve ser evitado naquelas situações que exigem um tipo de desbridamente mais rápido, tais como feridas com necrose extensa e sinais de infecção que podem progredir para infecção sistêmica. Os pacientes imunodrimidos também podem exigir desbridamento mais invasivo para prevenção e controle de infecção já instalada.
O desbridamente autolítico também pode significar trocas mais frequentes dos curativos no sentido de intensificar e acelerar a ação autolítica. A combinação ou associação com outras modalidade de desbridamento também pode ser uma boa alternativa.
Na maioria dos casos o desbridamento é feito de forma sequencial, a cada troca periódica do curativo, onde vamos verificando o aumento das áreas de granulação e de tecidos viáveis.
Comparativo de Coberturas: Alginato vs Hidrofibra
Na tabela abaixo consideramos as principais características dessas duas coberturas
| Característica | ALGINATO | HIDROFIBRA |
| Material base | Derivado de algas marinhs marrons (alginato de cálcio) | Fibras sintéticas de carboximetilcelulose (CMC) |
| Absorção de exsudato | Alta (até 20 vezes o seu peso) | Muito alta (até 30 vezes o seu pelo |
| Gelificação (transformação em gel) | SIM | SIM |
| Indicações principais | Exsudato moderado a abundante | Exsudato moderado a abundante |
| Ambiente de cura | Úmido | Úmido |
| Adesividade | Não aderente | Não aderente |
| Periodicidade de troca | Até 3 dias (dependendo do exsudato) | Até 7 dias (dependendo do exsudato) |
| Facilidade de remoção | Fácil(não adere ao leito) | Fácil(não adere ao leito) |
| Uso em feridas infectadas | Quando associado a antimicrobiano | Quando associado a antimicrobiano |
| Estrutura da cobertura | Fibra não tecida | Fibra tecida |
| Custo | Moderado | Moderado a elevado |
Dermatoporose
O envelhecimento da pele ainda é amplamente entendido como um problema estético a ser “resolvido” no âmbito da cosmetologia. Entretanto,é hoje considerado e amplamente aceito no meio científico como um problema funcional deste órgão que chamamos pele.
O entendimento atual é de que a dermatoporose é uma condição da pele caracterizada pelo envelhecimento cutâneo avançado e fragilidade extrema da pele, tornando-a mais suscetível a lesões, hematomas e lacerações espontâneas. Essa condição afeta principalmente idosos, especialmente em áreas mais expostas ao sol ao longo da vida, como braços e pernas.
Compartilhamos mais detalhes sobre esse novo conceito DERMATOESCLEROSE, inclusive a sua origem em 2007, no vídeo que pode ser acessado neste LINK
O que é FERIDA CRÔNICA
Uma ferida crônica é uma lesão na pele ou em tecidos subjacentes que não cicatriza dentro do tempo esperado, geralmente mais de 4 a 6 semanas, mesmo com tratamento adequado.

Essas feridas permanecem abertas e podem estar associadas a processos inflamatórios persistentes, infecção ou problemas circulatórios.
Principais Causas das Feridas Crônicas
- Úlceras por pressão (escaras) – causadas por pressão prolongada sobre a pele, comuns em pacientes acamados, cadeirantes ou outro tipo de imobillidade
- Úlceras venosas – resultantes de insuficiência venosa crônica, geralmente nas pernas, provocadas por varizes e como sequela de trombose venosa
- Úlceras arteriais – devido à falta de irrigação sanguínea (isquemia), causadas por oclusão (entupimento) ou estreitamento do leito de fluxo arterial.
- Pé diabético – feridas em pessoas com diabetes, causadas por neuropatia com perda da sensibilidade protetora.
É óbvio que várias outras enfermidades podem evoluir com a formação de feridas crônicas.
As acima listadas representam as causas mais frequentes e somente através de uma avaliação adequada por profissional habilitado pode detectar o diagnóstico corretaente.
Pe diabético – Rachaduras – COMO TRATAR
O tema PÉ DIABÉTICO é recorrente quando se trata de feridas crônicas.
A incidência de lesões que podem se instalar nos pés dos diabéticos é de tal magnitude que o seu estudo nunca se esgota.
Vamos compartilhar nesse vídeo uma dessas situações tão frequente nesses pacientes: ressecamento, rachaduras, calosidades e hiperqueratose na região plantar.
Antes de tudo precisamos entender o que acontece no pé dos diabéticos que leva ao ressecamento da pele. Faz parte de um fenômeno NEUROLÓGICO que conhecemos como NEUROPATIA DIABÉTICA. Infelizmente, essa neuropatia é raramente diagnosticada antes de surgirem as complicações que podem levar a resultados dramáticos, tais como amputações.
Segundo alguns autores A NEUROPATIA É UM EVENTO MUITO ESQUECIDO NA AVALIAÇÃO DOS DIABÉTICOS.
Vamos enfocar em um dos aspectos desse extenso território das neuropatias que afetam os diabéticos.
Úlcera de Martorell – um diagnóstico esquecido
A úlcera hipertensiva de Martorell (nos membros inferiores) é uma peculiaridade dos portadores de hipertensão arterial.
É pouco diagnosticada porque frequentemente está associada com outras patologias que também provocam feridas.
Profissionais de saúde que se dedicam ao tratamento dos portadores de feridas crônicas precisam estar atentos para essa possibilidade.
Quando a cicatrização falha – IODO

Compartilhamos uma publicação mostrando o papel da PRATA no combate às infecções que provocam a falha na cicatrização das feridas cônicas.
A infecção não permite que a cicatrização saia de sua fase INFLAMATÓRIA.
Agora vamos compartilhar algumas considerações pertinentes ao elemento IODO dentro deste mesmo conceito do combate às infecções e ao BIOFILME nas feridas crônicas.
O uso dos desses antimicrobianos tem evoluído muito e superado convenientemente alguns desafios tais como a toxicidade celular e a resistência bacteriana, bem como a inviolabilidade das comunidades de microrganismos por trás da barreira dos biofilmes.
Se desejar, assista o vídeo abaixo.