Clínica de feridas: o que não pode faltar

Diante da quantidade de dispositivos – coberturas, curativos, equipamentos vários, etc. – disponíveis para o tratamento de feridas crônicas, todos os que se dedicam a esse segmento do atendimento à saúde precisam tomar decisões racionais sobre o que é efetivamente imprescindível para atender essa demanda.

É inegável que cuidar de pacientes portadores de feridas crônicas não se resume a fazer e trocar curativos.

À excessão do câncer de pele, sabemos que as feridas crônicas de dificil cicatrização representam a manifestação de uma patologia de fundo ou se cronificam em decorrência de enfermidades que interrompem a dinâmica da cicatrização.

O vídeo a seguir é um esforço de compartilhamento da experiência de longos anos e que procura responder à uma questão recorrente entre os que dedicam ao atendimento desses pacientes: O QUE NÃO PODE FALTAR NUMA CLINICA DE FERIDAS?

Hidrogel em feridas – um recurso indispensável

Hidrogel é um composto constituído de algo em torno de 95% de água. Portanto, se alguém perguntar qual o ingrediente básico do hidrogel, a reposta é AGUA!
O hidrogel é formado por uma rede de cadeias poliméricas altamente hidrofílicas. São redes complexas de polímeros entrecruzados com grande capacidade de “aprisionar água”( Imagem de microscopia eletrônica no site https://www.nisenet.org/catalog/scientific-image-hydrogel-scaffold).

Neste vídeo procuro compartilhar a importância prática da utlização dos hidrogéis. Trata-se de uma ferramente que não pode faltar em um serviço dedicado aos cuidados com o leito das feridas crônicas.

Coberturas não aderentes

São curativos cuja função principal é proteger os tecidos do leito das feridas contra eventuais danos que possam ser causados por determinados curativos. Sabemos que as gazes, habitualmente utilizadas, aderem firmemente ao leito das feridas. A retirada dessas gazes provocam o que é habitualmente chamado de desbridamento não seletivo: ou seja, podem trazer consigo, além dos debris indesejáveis, elementos necessários ao processo cicatricial. Outros curativos, tais como carvão, espumas, etc, podem também provocar danos semelhantes.

A interposição de coberturas não aderentes tem, portanto, a função de proteger o leito das feridas contra as eventuais agressões que possam ser provocadas também no momento da troca desses curativos.

A cobertura não aderente ideal deveria apresentar as seguintes características:

  • facilidade de adaptação ao formato do leito ulcerado bem como à topografia da lesão
  • fácil de aplicar sobre a ferida
  • pode ser removida com facilidade, sem provocar trauma e com o mínimo de dor
  • não deixa resíduos no leito da ferida
  • não provoca danos à pele do entorno nem traumatiza o leito; pode ser usada em peles frágeis e friáveis
  • permite que o exsudato se exteriorize para o curativo secundário
  • permite que componentes do curativo secundário migrem para o leito, interagindo com a ferida

Regra geral essas coberturas são compostas de algodão sintético, acetato de celulose ou  polietileno; algumas contém petrolato, outras são siliconizadas, vaselinadas ou parafinadas; todas elas mantendo a característica comum de não aderência ao leito da ferida.

Quando utilizar

As coberturas não aderentes, em princípio, na qualidade de CURATIVO PRIMÁRIO,podem ser utilizadas na grande maioria das feridas. É uma excelente escolha como a primeira camada de contato com a ferida na medida em que minimiza o trauma por ocasião das trocas. Não se aplicam em feridas muito fundas ou cavitárias, situação em que podem perder a sua função principal diante da possibilidade de migrar para o interior da lesão. Podem ser úteis mesmo em feridas muito exsudativas, na dependência da qualidade do curativo secundário escolhido, considerando que o exsudato abundante pode migrar pelas malhas da cobertura para a região de pele sadia e propiciar maceração. Nestes casos, cuidar para que a malha não aderente não exceda muito os bordos das lesões. Os casos de reações alérgicas ao produto são extremamente raras e não me recordo de nenhum episódio desse tipo.


O vídeo abaixo compartilha nossa experiência com as coberturas de malhas não aderentes. Veja, se desejar.